Temer nomeou primo de Gilmar Mendes para diretoria de autarquia do governo

Dourados - MS, 13 de junho de 2017


Presidente escolheu parente do ministro do TSE, responsável por absolver Temer semana passada, para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários

No início deste ano, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) enfrentava um sério problema: sua diretoria, normalmente composta por três integrantes, estava desfalcada. Com apenas dois diretores, não havia uma terceira voz para dar o voto de minerva em decisões conflituosas. Por uma poética coincidência, o homem que aterrissou na autarquia para proferir os votos decisivos na agência é primo do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, que também é responsável por resolver os impasses na Corte.

Assim foi, por exemplo, na última sexta-feira (9), quando Gilmar Mendes desempatou julgamento que estava em 3 a 3 e decidiu absolver o presidente Michel Temer  da ação que pedia a cassação da chapa que o elegeu, ao lado de Dilma, em 2014. O processo apurava possível crime de abuso político e econômico na campanha presidencial daquele ano.

Três meses antes do vexaminoso julgamento no TSE, o presidente Michel Temer havia indicado Francisval Dias Mendes (o primo de Gilmar) para a diretoria da Antaq. O nome foi aprovado em maio pelo Senado, recebendo votação favorável de 14 a 0 na Comissão de Serviços de Infraestrutura da Casa.

Empossado na Antaq pelo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, Francisval é advogado e havia atuado anteriormente na Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Mato Grosso (Ager), na Associação Matogrossense dos Municípios (AMM), e na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab/MT).

Em entrevista ao jornal O Globo , o presidente do TSE negou que tenha influenciado na indicação de seu primo para a autarquia e disse não ser próximo a Francisval. “Ele está sendo indicado por partido. Eu devo ter, sei lá, uns 70 primos. Só do lado do meu avô, tem uns dez, 12 irmãos do meu pai”, disse Mendes.

O ministro do voto de minerva

Ainda antes do julgamento da ação contra a chapa Dilma-Temer, o presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia protagonizado episódios envoltos em polêmica .

Gilmar Mendes também havia desempatado a votação na Primeira Turma do Supremo que determinou a soltura do ex-ministro José Dirceu . Foi também de Gilmar a decisão de soltar o empresário Eike Batista, outro preso na Operação Lava Jato. Anos atrás, o ministro também revogou prisão preventiva do médico Roger Abdelmassih, condenado pelo estupro de dezenas de mulheres em sua clínica em São Paulo.

Fonte: iG

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