Sérgio Moro tem lado?

Não há dúvidas de que Sérgio Moro é uma das personalidades mais importantes do país. Era de fato necessário um juiz corajoso para lidar com os esquemas de corrupção há décadas conhecidos mas que permaneciam impunes. Falta a Moro, no entanto, a capacidade de navegar a política. E sua imprudência nesse campo, digamos assim, é altamente prejudicial não apenas para ele, mas para o Brasil.

Na noite de terça-feira, Moro deu mais uma prova de sua inabilidade política. Foi a Nova York receber um prêmio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e se deixou fotografar descontraído ao lado de João Doria Júnior, político do PSDB que recentemente abandonou a prefeitura de São Paulo para disputar o governo do Estado.

Moro foi apresentado por Doria, premiado no ano passado, como “herói nacional” e representante do “Brasil dos homens de bem”. Esse grupo seria integrado por pessoas, disse o ex-prefeito, como os empresários que estavam no evento, mas não pelos manifestantes que protestaram contra o juiz momentos antes da cerimônia. Essa turma, afirmou Doria, é a das pessoas “que querem que o Brasil volte a um tempo do qual nós não temos nenhuma saudade”.

Se levarmos em conta que a principal plataforma política de Doria é o antipetismo, fica claro que o ex-prefeito manipulou a presença do juiz em seu próprio favor, o que era previsível. Será que Moro não imaginou que essa manipulação pudesse ocorrer? A mesma ingenuidade deve ter se manifestado quando o magistrado aceitou convite para a palestra que ministrará nesta quinta-feira, em evento do Lide, o grupo de lobby pertencente à família de Doria.

Ao que parece, Moro não vê problemas na confraternização com Doria. A polêmica ao redor da imagem é uma “bobagem”, disse ele ao jornal O Globo. Não foi um erro, como a felicidade demonstrada em 2016 ao lado de Aécio Neves (PSDB), em outro evento – dessa imagem, disse Moro recentemente, ele se arrepende.

Mas Moro está errado no diagnóstico a respeito do que ocorreu em Nova York. O convescote com Doria representa, sim, um problema. Ao comentar seu trabalho, marcado pelos julgamentos de nomes importantes do PMDB e do PT, Moro parece convencido de estar do lado certo da história. Muitos concordam com ele, mas muitos outros não, natural em um cenário político polarizado.

Há, no entanto, ao menos um fato objetivo a indicar que, para ficar apenas no principal caso atribuído a Moro, o de Lula, o magistrado mostrou uma clara predisposição contra o réu.

Lula só não virou ministro do governo Dilma Rousseff porque Sérgio Moro divulgou ilegalmente uma gravação que ilegal. Expliquemos. Trata-se do famigerado “áudio do Bessias”, em que Dilma e Lula conversam sobre a nomeação deste. A gravação fora feita pela Polícia Federal após o término da autorização concedida pelo próprio Moro – era, portanto, ilegal. A divulgação do áudio também não poderia ter ocorrido, uma vez que envolvia a presidente da República, sobre a qual o juiz não tinha jurisdição. Sem Lula no ministério, Dilma foi derrubada e o resto já sabemos.

Não há dúvidas de que Sérgio Moro é uma das personalidades mais importantes do país. Era de fato necessário um juiz corajoso para lidar com os esquemas de corrupção há décadas conhecidos mas que permaneciam impunes. Falta a Moro, no entanto, a capacidade de navegar a política. E sua imprudência nesse campo, digamos assim, é altamente prejudicial não apenas para ele, mas para o Brasil.

Na noite de terça-feira, Moro deu mais uma prova de sua inabilidade política. Foi a Nova York receber um prêmio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e se deixou fotografar descontraído ao lado de João Doria Júnior, político do PSDB que recentemente abandonou a prefeitura de São Paulo para disputar o governo do Estado.

Moro foi apresentado por Doria, premiado no ano passado, como “herói nacional” e representante do “Brasil dos homens de bem”. Esse grupo seria integrado por pessoas, disse o ex-prefeito, como os empresários que estavam no evento, mas não pelos manifestantes que protestaram contra o juiz momentos antes da cerimônia. Essa turma, afirmou Doria, é a das pessoas “que querem que o Brasil volte a um tempo do qual nós não temos nenhuma saudade”.

Se levarmos em conta que a principal plataforma política de Doria é o antipetismo, fica claro que o ex-prefeito manipulou a presença do juiz em seu próprio favor, o que era previsível. Será que Moro não imaginou que essa manipulação pudesse ocorrer? A mesma ingenuidade deve ter se manifestado quando o magistrado aceitou convite para a palestra que ministrará nesta quinta-feira, em evento do Lide, o grupo de lobby pertencente à família de Doria.

Ao que parece, Moro não vê problemas na confraternização com Doria. A polêmica ao redor da imagem é uma “bobagem”, disse ele ao jornal O Globo. Não foi um erro, como a felicidade demonstrada em 2016 ao lado de Aécio Neves (PSDB), em outro evento – dessa imagem, disse Moro recentemente, ele se arrepende.

Mas Moro está errado no diagnóstico a respeito do que ocorreu em Nova York. O convescote com Doria representa, sim, um problema. Ao comentar seu trabalho, marcado pelos julgamentos de nomes importantes do PMDB e do PT, Moro parece convencido de estar do lado certo da história. Muitos concordam com ele, mas muitos outros não, natural em um cenário político polarizado.

Há, no entanto, ao menos um fato objetivo a indicar que, para ficar apenas no principal caso atribuído a Moro, o de Lula, o magistrado mostrou uma clara predisposição contra o réu.

Lula só não virou ministro do governo Dilma Rousseff porque Sérgio Moro divulgou ilegalmente uma gravação que ilegal. Expliquemos. Trata-se do famigerado “áudio do Bessias”, em que Dilma e Lula conversam sobre a nomeação deste. A gravação fora feita pela Polícia Federal após o término da autorização concedida pelo próprio Moro – era, portanto, ilegal. A divulgação do áudio também não poderia ter ocorrido, uma vez que envolvia a presidente da República, sobre a qual o juiz não tinha jurisdição. Sem Lula no ministério, Dilma foi derrubada e o resto já sabemos.

Neste episódio, em que Moro não foi nada ingênuo politicamente, o juiz só escapou de punições por conta do apoio maciço de determinados setores da sociedade que apostavam em sua atuação como artifício para tirar o PT do poder, o que não foi possível pelas vias normais, as eleições. Entre esses setores estavam provavelmente os “homens de bem” de Nova York citados por Doria e o PSDB, partido com o qual Moro insiste em confraternizar.

Recentemente, o juiz abriu um inquérito contra o governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB. Moro terá o mesmo ímpeto neste processo por ser o alvo um tucano? Ou terá ainda mais ímpeto para mostrar que não é rígido apenas com petistas? Essas duas leituras podem ser possíveis no desdobramento desta ação, e tudo por conta dos atos passados de Moro.

Para além da política, a ação de Moro tem efeitos deletérios para a imagem do Judiciário. Seria excelente para a democracia brasileira se toda a Operação Lava Jato transcorresse dentro do mais estrito cumprimento da lei. Quatro anos depois, há muitas dúvidas que foi isso o que ocorreu.

A Lava Jato não veio para levar a “lei para todos”, acabando com a preferência do Judiciário pelos pobres, como é o costume no Brasil. Ela veio para afetar parte dos privilegiados e ser manipulada politicamente por outra parte, que continua, em seus cargos públicos, fugindo da Justiça.

Recente pesquisa CNT/MDA mostrou que para 89,3% dos brasileiros o Judiciário é pouco ou nada confiável e que para 90,3% a Justiça não age de forma igual para todos. Esses números mostram uma realidade preocupante. Qualquer democracia saudável precisa de um Judiciário visto como legítimo pela sociedade. Não é o caso do Brasil e certamente não continuará a ser enquanto juízes continuarem a mostrar que têm lado.

Por José Antonio Lima

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