Pesquisa aponta forte aumento de preços da cesta básica em Dourados após greve dos caminhoneiros

O valor da Cesta Básica do mês de Maio/2018 comparado com o mês de Abril/2018 apresentou uma forte elevação de 8,95% em Dourados, é o que constata a pesquisa realizada pelos acadêmicos do curso de Ciências Econômicas da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), sob coordenação do professor doutor Enrique Duarte Romero, realizada na primeira semana de Junho.

Esta pesquisa sempre foi realizada nos últimos dias do mês de referência, mas devido à greve dos caminhoneiros, este mês foi mudado pela falta de alguns produtos que por sua vez, elevaram os preços bem acima do seu preço natural.

Os produtos que compõem a Cesta Básica conforme o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) de acordo com a Lei Nº 399 que estabelece o salário mínimo são: (Açúcar, arroz, banana, batata, café, carne, farinha de trigo, feijão, leite, margarina, óleo de soja, pão-francês e tomate). Os preços da cesta básica de Abril/2018 com estes produtos ficaram em R$ 332,26 o que significa 34,87% do Salário mínimo que foi de R$ 954,00. E no mês de Maio/2018, o trabalhador douradense teve que destinar uma quantia bemsuperior a isso para a compra dos produtos componentes da cesta básica que foi de R$ 362,40 o que equivale a 37,99% do salário mínimo vigente.

No mês de maio, no país, o maior custo da cesta básica foi registrado em Rio de Janeiro com R$ 446,03 pelo quarto mês seguido; já a capital catarinense, Florianópolis, foi a segunda capital mais cara com R$ 441,62. E a terceira capital onde a cesta esteve mais elevada foi em São Paulo com 441,16 Reais. Sendo que ambas as capitais estaduais estão entre as Cestas Básicas mais caras incluindo Porto Alegre com R$ 437,73.

Os menores preços médios foram verificados em Natal (Rio Grande do Norte) com R$ 341,18; em Recife (Pernambuco) R$ 336,36 e, com o menor preço da Cesta Básica do país no mês de Maio foi registrada na capital do Estado da Bahia, Salvador, com R$ 327,56. Observamos que os menores preços foram praticados nas capitais da Região Nordeste, como já foi constatado desde o início da pesquisa, já a capital baiana está imbatível nos seus preços a mais de um ano e sete meses consecutivo. No mês de maio/2018, os preços da cesta básica diminuíram em 18 capitais estaduais do país, é o que constata a pesquisa realizada pelo DIEESE.

Comparado com a capital do Estado de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, onde o preço da sua Cesta foi de R$ 398,14, portanto, maior que a de Dourados. Desta vez, a Cesta Básica douradense superou aos preços praticados em sete capitais estaduais do país. No mês de abril, o preço da cesta básica douradense só foi maior que Salvador e desta vez pela elevação muito acentuada passou às seguintes capitais: Manaus, São Luís, Aracajú, João Pessoa, Natal, Recife e Salvador. Os reflexos da greve nacional por parte dos caminhoneiros repercutiram fortemente sobre a cidade de Dourados

A partir da Constituição Federal de 1988 o trabalhador brasileiro deve trabalhar 220 horas mensais, com isso, no mês de Abril/2018, um trabalhador douradense para pagar a cesta básica tinha de trabalhar 76 horas e 42 minutos. Já no mês de Maio/2018, este mesmo trabalhador precisou de um tempo bem superior para comprar alimentos que foi de 83 horas e 34 minutos, isto representou umadiminuição do poder de compra do salário se comparado com o mês de Abril/2018. Essaperda ocorreu devido à forte elevação dos preços da Cesta Básica no mês de Maio.

Dos 13 produtos que compõem a Cesta Básica, em Dourados, a maioria, 9 apresentaram uma elevação de preços no mês de Maio. O produto que teve a maior elevação do mês foi otomate com 55,16%. Os outros produtos que aumentaram de preços foram: batata com 54,34%; farinha de trigo com 6,67% de elevação do seu preço, pão-francês com oscilação positiva dos seus preços em 5,41%; óleo desoja aumentou 3,80%; a margarina com 2,90% de elevação do seu preço; a carne com 2,26%. E com um leve aumento dos seus preços foramfeijão com 1,06% e a banana com 0,39% de aumento.

Destacamos que tanto a carne e o tomate são produtos que têm um peso enorme na composição da Cesta, em torno de 52% no mês de maio só estes dois produtos. Quando estes produtos aumentam de preços a Cesta Básica sobre impacto em quanto à sua elevação de preços, assim como vários outros produtos aumentaram de preços pelo segundo mês seguido como o pão-francês, óleo de soja, margarina, e a própria carne.

E dos 13 produtos que compõem a Cesta Básica somente 4 diminuíram de preços no mês de Maio, estes foram: ocafé com 4,71% de queda. O arroz com 4,52%; e os outros produtos cujos preços caíram no mês de maio foram o açúcar com 3,83% e o leite com 1,79% de queda.

Com o aumento dos preços dos produtos da Cesta Básica, redobramos a nossa sugestão aos consumidores douradenses de que vale a pena a pesquisa nos diversos supermercados. Apresentamos a diferença de preços entre o supermercado que praticou o preço mais elevado que chegou a R$ 423,22 e o menor com 299,12 Reais com os mesmos produtos; isto representa uma diferença de R$ 124,10, ou seja, 29,32% menor, um ganho que consideramos compensa o sacrifício de percorrer vários estabelecimentos. Outra sugestão que fazemos é a de verificar também os levantamentos realizados pelo PROCON do nosso município, porque o método adotado por esta instituição é a de comparar os preços praticados por cada estabelecimento e dar a publicidade esta pesquisa identificando cada Supermercado.

Conforme o DIEESE, e levando em consideração a determinação da Constituição Nacional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir as despesas do trabalhador brasileiro e de sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.

Dessa maneira, em Abril de 2018, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.696,95, isso significa 3,88 vezes mais do que o mínimo vigente que é de R$ 954,00. E em Maio o salário mínimo necessário estava em 3.869,92isto representa 4,13 vezes do salário praticado naquele mês, o que significa que houve uma perda em nível nacional no mês de Maio do poder de compra do salário.

Fonte: DouradosAgora

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