qua. jan 16th, 2019

Quem foi Fred Trump, ‘magnata dos imóveis’ pai do presidente dos EUA

Donald Trump constantemente apresenta-se como uma pessoa que enriqueceu por conta própria, com pouca ajuda do império de seu pai. Essa versão foi colocada em xeque por denúncias de que ele teria herdado uma enorme quantia – e evadido impostos sobre ela, algo que advogados do presidente negam.

A seguir, a história de como surgiu o “estilo de negócios” e o império Trump, que ajudaram a catapultar o atual presidente americano à fama.

A ascensão de Fred C. Trump

Frederick Christ Trump nasceu em 1905 em Nova York, filho de imigrantes de origem alemã – Elizabeth Christ e Frederick Trump Sr. (morto quando Fred tinha 13 anos).

Trump-pai era considerado um prodígio já aos 17 anos, quando fundou uma empresa de construção civil tendo a mãe como sócia, porque ele era muito novo para assinar os cheques.

A empresa começou construindo e vendendo casas para famílias na região nova-iorquina de Queens nos anos 1920.

À época da Segunda Guerra Mundial, Fred Trump ganhava fortunas com a construção de residências a preços acessíveis para famílias de renda média na costa leste americana, aproveitando-se de um aumento no orçamento federal destinado a moradia.

Recebeu, assim, o apelido de o “Henry Ford da construção de casas” (em referência ao empresário que revolucionou a indústria automobilística) e o “maior espetáculo de um homem só da construção”.

Fred Trump era conhecido pela qualidade de suas edificações – muitas delas de pé até hoje – e por economizar cada centavo nas construções.

Polêmicas

O empresário comumente se aproveitava de financiamento do governo para construir projetos habitacionais, mas fazia-as por valor inferior ao do subsídio – e guardava para si o dinheiro que sobrava. A prática, embora fosse legal, fez com que ele fosse convocado a testemunhar perante o Congresso americano em 1954.

“Fred Trump nunca deixou de aproveitar uma brecha fiscal. E Donald estava ao seu lado, aprendendo”, diz Gwenda Blair, autora de uma biografia da família, The Trumps.

Na década de 1970, Fred foi acusado de discriminação, por se recusar a deixar que negros e porto-riquenhos alugassem apartamentos que ele havia construído.

Quando um processo legal foi aberto contra ele por conta disso, seu filho Donald foi quem saiu em sua defesa, tornando-se figura frequente nas notícias de jornais a respeito do caso.

O processo acabou sendo resolvido em acordo judicial, sem que nunca tivesse havido qualquer admissão de culpa por parte de Trump.

Das periferias para Manhattan

Fred Trump concentrou seus negócios nas regiões periféricas de Nova York e nunca se aventurou na cobiçada região central de Manhattan, que ele considerava muito arriscada.

O desafio de empreender em Manhattan foi deixado para Donald, que expandiu o conglomerado imobiliário e incluiu nele hotéis, arranha-céus, cassinos, empresas aéreas e campos de golfe.

“Ele é visionário, e tudo o que toca parece virar ouro”, disse Fred certa vez sobre Donald.

Pai rico, filho rico

Donald Trump alega que empreendeu de modo independente de seu pai e recebeu dele apenas US$ 1 milhão em empréstimos, que diz ter pago com juros.

Mas o jornal The New York Times afirma que Donald herdou, na verdade, ao menos US$ 413 milhões (em valores atualizados) do império paterno, grande parte disso por meio de “esquemas fiscais duvidosos” – inclusive com cheques de milhares de dólares declarados como presente de Natal – ocorridos nos anos 1990, incluindo “métodos claramente fraudulentos”, como o de subvalorização de imóveis.

Citando mais de 200 documentos de Fred Trump, a reportagem diz que o patriarca deixou um total de mais de US$ 1 bilhão para seus filhos. No entanto, registros fiscais afirmam que Donald e seus irmãos pagaram US$ 5,2 milhões em impostos sobre essa fortuna – em vez dos US$ 550 milhões devidos.

Após a publicação da reportagem, autoridades regulatórias de Nova York afirmaram em outubro passado que vão investigar se a família Trump evadiu impostos que incidiriam sobre o patrimônio imobiliário do clã. Uma autoridade disse ao jornal que é possível que imóveis da família tenham sido avaliados a preços muito mais baixos do que o real ao serem transferidos de Fred para os filhos, com o suposto objetivo de evasão fiscal.

Um ano e meio antes da morte de Fred Trump, seus herdeiros ganharam controle da maior parte do império do pai, declarando que ele valia US$ 41,4 milhões.

Mas, ao longo da década seguinte, esse patrimônio seria vendido por 16 vezes esse valor – novamente, sem que os Trump pagassem os devidos impostos sobre a fortuna, segundo o NY Times.

Charles J. Harder, advogado de Trump, disse que “as alegações do New York Times de fraude e evasão fiscal são 100% falsas e altamente difamatórias”.

“Não houve fraude e evasão fiscal por ninguém. Os fatos sobre os quais o Times baseia suas falsas alegações são extremamente imprecisos”, declarou.

Estilo de vida mais discreto

Fred Trump morreu em 1999, aos 93 anos, ainda morando na mesma região de Queens onde criou sua família.

Apesar de ter acumulado uma fortuna multimilionária, ele não gostava de exibir um estilo de vida luxuoso, segundo seu obituário no New York Times.

“A única exceção era que, por décadas, ele insistiu em dirigir um Cadillac, sempre azul marinho, sempre reluzente e sempre trocado a cada três anos, com uma placa de letras FCT anunciando seu dono onde quer que ele fosse”, dizia o texto.

O estilo contrasta com o de Donald, que durante as eleições de 2016 declarou que seu próprio valor era de US$ 10 bilhões – cifra questionada por algumas pessoas que conhecem seu patrimônio de perto.

Mas o 45º presidente dos EUA nunca deixou de elogiar seu pai, a quem se refere como inspiração. Donald alega que herdou não apenas dinheiro do pai, mas também seu estilo de negócios.

Fonte: BBC News

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