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Michael Jackson: ‘Culto a celebridades é maligno’, diz diretor de filme sobre supostos abusos de cantor a crianças

“O culto à celebridade é maligno e leva as pessoas a ficarem cegas e os pais a fazerem coisas estúpidas”, diz Dan Reed, diretor de um novo documentário sobre Michael Jackson (1958-2009).

Seu filme, Leaving Neverland (Deixando Neverland, em tradução livre), chegou às manchetes em janeiro, quando seu conteúdo foi considerado tão explícito que uma sessão contou com acompanhamento de profissionais de saúde mental.

Exibido no Festival de Sundance, o filme de quatro horas contou com os depoimentos de Wade Robson e James Safechuck, que dizem terem sido abusados ​​sexualmente pelo cantor quando eram jovens, na década de 1990.

Os responsáveis pelo espólio de Jackson negaram as acusações e disseram que o filme é “uma tentativa ultrajante e patética de explorar e lucrar” após a morte do cantor.

Mas Reed diz à BBC que espera que seu filme “faça os pais pensarem duas vezes antes de confiar em estranhos e que as pessoas pensem duas vezes antes de idolatrar uma celebridade”.

‘Nada contradiz o que eles disseram’, afirma diretor

Na entrevista, Reed comentou sobre o poder dos testemunhos de Robson, de 36 anos, e Safechuck, de 40.

Ele diz que demorou “um tempo” para acreditar em ambos. “Entrevistei Wade por três dias e James, por dois. Eles foram muito abertos e consistentes em seus relatos. Depois, quando aprofundei minha pesquisa, não descobri nada que contestasse o que disseram.”

Reed diz que também passou muito tempo investigando os casos de Jordan Chandler e Gavin Arvizo, que entraram com uma ação contra Jackson enquanto ele estava vivo, em 1993 e 2004.

O caso de Chandler foi resolvido fora dos tribunais, enquanto Jackson foi considerado inocente de todas as acusações feitas por Arvizo.

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Reed diz ainda que “muitas evidências presentes em testemunhos juramentados de membros da equipe de Jackson, entre outros, corroboraram aspectos do que eles [Robson e Wade] disseram”.

“Ao longo de dois anos, verificamos tudo que eles falaram e nunca encontramos nada que colocasse qualquer ponto em dúvida.”

‘Admitir ter entregue seu filho nas garras de um predador não é fácil’

As famílias de Robson e Safechuck, incluindo mães, pais e irmãos, também foram entrevistados para o documentário.

Seus relatos dão detalhes sobre a primeira vez em que os garotos se encontraram com Jackson – Robson em um show na Austrália e Safechuck em um comercial da Pepsi.

Reed diz que “os relatos de suas mães e famílias também eram muito consistentes e apoiavam tudo o que eles diziam”.

“Suas mães foram totalmente críveis também. Admitir ter entregue seu filho às garras de um predador pedófilo não é fácil para qualquer mãe. Eu as parabenizo por sua coragem de revelar como se sentiram ao contar a história toda”, afirma o diretor.

“Não consigo imaginar que uma mãe invente isso – é a coisa mais humilhante e chocante admitir que você estava no quarto ao lado enquanto alguém estuprava seu filho por anos e anos.”

Reed também diz ter o mesmo sentimento sobre Wade e James. “Ninguém inventaria descrições sexuais tão explícitas” ao falar de encontros sexuais com Jackson.

Quando meninos, ambos passaram um tempo no rancho Neverland de Jackson, onde, dizem, compartilharam a cama com o cantor.

“Se esses relatos não tivessem sido feitos com tanta dignidade, seriam profundamente humilhantes para um homem adulto”, acrescenta.

Família de Jackson nega que qualquer abuso tenha ocorrido

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A HBO, que fez o filme em parceria com a emissora britânica Channel 4, está sendo processada pelo espólio de Michael Jackson por quebrar uma cláusula de reputação de um contrato antigo. A família sustenta que Jackson é inocente e que provou isso em um tribunal.

Reed diz que não teve “nenhum contato com os responsáveis pelo espólio ou a família antes de fazer o filme”.

“O ponto de vista de Jackson, as opiniões de seus advogados e suas refutações das acusações estão amplamente representadas pelo filme”, afirma.

“Eles negam que qualquer abuso sexual tenha ocorrido, e essa visão não mudou desde a última vez que chequei. Demos muito espaço para isso e até colocamos fãs dizendo coisas horríveis sobre Wade. Consideramos que seus pontos de vista estão bem representados no filme. Não é uma obra unilateral.”

Quando perguntaram a Jermaine Jackson, irmão do cantor, sobre o filme no programa Good Morning Britain, da emissora ITV, ele pediu às pessoas para “deixar o homem descansar” e disse que sua família estava “cansada” de defender Michael.

A resposta de Reed para isso foi dizer que “não estamos desenterrando Michael Jackson”. “O que estamos fazendo é contar as histórias de duas de suas vítimas, e elas estão muito vivas e bem. Elas merecem ter voz e ser ouvidas”, afirmou o diretor.

“A família reagiu de uma maneira muito antiquada, como se tudo fosse sobre dinheiro.”

“Eles (Wade e Safechuck) não receberam um centavo, nem receberão – não têm nenhum interesse financeiro no filme, e nós nunca oferecemos nenhuma contrapartida.”

‘Temos que ser mais céticos com a fama e o poder’

Com o lançamento do filme, comparações foram feitas com as alegações enfrentadas pelo cantor R. Kelly.

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O cantor foi acusado de abusar sexualmente de várias mulheres e menores de idade. Sua música, entretanto, se mantém popular apesar das acusações – que ele nega.

Reed diz que Jackson e Kelly não foram escrutinadas devidamente porque “as pessoas ficam deslumbradas com talento e status, riqueza, reputação”.

“Especialmente quando você é jovem e seu ídolo é um incrível dançarino ou cantor, você pensa que este talento se traduz em bondade, você assume que ele é uma pessoa legal e, infelizmente, esse não é o caso”, afirma Reed.

“Temos que ser mais céticos e desafiar mais a fama, a celebridade e o poder do que fazíamos no passado.”

Fonte: BBC News

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Samuel Azevedo
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