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Saúde Indígena para e fecha postos na Reserva de Dourados

Sem receber salários há dois meses, funcionários da Missão Caiuás, que prestam serviços para a Saúde Indígena em Mato Grosso do Sul, iniciaram greve ontem nas aldeias de Dourados. Com faixas e cartazes, manifestantes cobraram o pagamento e cruzaram os braços. O ato culminou com a paralisação nos atendimentos nos cinco postos de saúde da Reserva, sendo o Jaguapiru I, o Jaguapiru II, o Bororó I, o Bororó II e a unidade do Panambi. Ao todo a falta de pagamento atinge 750 profissionais em Mato Grosso do Sul, sendo cerca de 100 em Dourados, além de 18 mil indígenas, somente no pólo do município. A greve, que começou nas aldeias do município deve se estender nos demais pólos do Estado, segundo estimam manifestantes.

De acordo com a enfermeira Romilda Martins Lima, do Posto de Saúde Jaguapiru I, com o fechamento das unidades de saúde, não estão ocorrendo serviços como consultas, exames, pré-natal e vacinas, num momento em que a dengue registra aumento de casos.

Outra medida é que somente os casos graves serão atendidos. “O paciente deve ligar para o pólo base para pedir um plantonista para buscá-lo e levá-lo até a Casai ou outra unidade de saúde em Dourados”, destaca. Romilda disse ainda ao Dourados Agora que essa foi a única maneira encontrada para forçar o pagamento. “Durante várias semanas estamos sendo enrolados. Estávamos mantendo os 30% dos serviços essenciais até a última semana, mas devido a falta de efetividade nas promessas feitas à categoria, decidimos parar as atividades até que o pagamento esteja depositado”, conta.

Para ela, a situação dos servidores é desesperadora. “Muitas famílias estão passando por dificuldades por falta de salário. Como todo mundo a gente tem conta para pagar e esse atraso tem dificultado até a compra de alimentos “, reclama.

O coordenador do Conselho Local de Saúde Indígena, Leoson Mariano, acredita que trocas na direção da Missão Cauiás, podem ter influenciado no atraso. “A prestação de contas apresentou pendências e isso pode ter causado a falta de repasses. É preciso entender de gestão para fazer esse trabalho”, contou. Ele também destaca a preocupação da falta de serviços de saúde justamente em período de carnaval. “É um período de feriado prolongado em que muitos indígenas fazem festas, aumentam o consumo de bebidas e como consequencia, sobem os casos de violência e necessidade de atendimentos de saúde”, lamenta.

Missão Caiuás

O advogado Cleverson Daniel Dutra, da ong Missão Caiuás, informou ao O PROGRESSO que a unidade é responsável por contratar e fazer o pagamento dos funcionários, mas que os recursos precisam ser liberados pelo Fundo Nacional de Saúde, ação, que segundo ele, ocorreu na tarde de ontem. Apesar disso, segundo o advogado, o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), responsável pelo processamento e controle tem um prazo de até 48 horas para a execução financeira.
Cleverson explica que o atraso acontece em todo o país em decorrência da troca de governo e excesso de burocracia, obrigando as prestadoras de serviços a reenviarem vários documentos para atender novas normas.

O advogado acredita que até 1º de março será pago o salário de janeiro e até 7 de março, será antecipado o salário referente a fevereiro.

Fonte: DouradosAgora

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Maryone Azevedo
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