quarta-feira, junho 20

Câncer de útero: como reforçar o diagnóstico precoce

O câncer de colo de útero é o terceiro tipo mais comum entre mulheres – atrás apenas do câncer de mama e do colorretal – e a quarta causa de morte de mulheres pela doença no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O órgão também estima 16.370 novos casos em 2018.

Felizmente, é possível detectar a doença precocemente. “Para reforçar esse diagnóstico, precisamos lembrar que, com a detecção precoce do câncer de colo de útero ou lesões precursoras, pode-se ter uma cura que pode chegar a 100%. Ou seja, quanto mais cedo detectar, mais chances de cura”, reforça Sueli Tapigliani, ginecologista da clínica Mais Excelência Médica.

O que fazer dentro do consultório para a detecção precoce

Para Cíntia Pereira, ginecologista da Rede de Hospitais São Camilo, é fundamental que o médico ginecologista estabeleça um vínculo com a paciente. “É importante dizer que o diagnóstico precoce pode salvar a vida e permite um tratamento muito menos invasivo do que uma situação de câncer avançado, que limita muito as opções de tratamento”, aponta.

Esse relacionamento permitirá uma abertura maior da paciente para uma anamnese detalhada e eficaz, permitindo obter detalhes de seu histórico pessoal e familiar. Então, ainda no consultório, parte-se para o exame físico. “Nele, avalia-se a vulva e a vagina para suspeitar se há algum tipo de lesão que possa ser maligna”, diz Lívia Daia, ginecologista obstetra da Clínica Daia Venturieri.

O passo seguinte é pedir os exames complementares. O principal é a colpocitologia oncótica, mais conhecido como Papanicolau, que é de fácil acesso e serve para investigar células muito precoces do câncer de colo de útero. Há, ainda, a colposcopia, pesquisa de HPV, ultrassonografia pélvica, exames da mama e exames de sangue, que permitem um rastreamento de muitas doenças e condutas adequadas para cada situação.

A conversa dentro do consultório deve ser sempre franca, oferecendo informações de maneira didática e incentivando a paciente a retornar em um determinado prazo – geralmente, um ano, ou antes, caso haja algum sintoma ou problema. “Se estiver próximo do tempo de um ano, você pode lembrar a paciente de que está na hora de voltar a repetir os exames”, indica Tapigliani.

Quem deve fazer os exames

Todas as mulheres devem fazer exames preventivos a partir do início da vida sexual, independentemente da idade”, afirma Pereira. A indicação do INCA é que todas as mulheres façam a coleta uma vez por ano – se em dois anos seguidos os resultados forem normais, o exame pode ser feito uma vez a cada três anos. Já aquelas do grupo de risco, a avaliação deve ser feita caso a caso sobre a periodicidade dos exames.

Atenção especial às portadoras de HIV, mulheres imunossuprimidas por uso de imunossupressores após transplante de órgãos sólidos, em tratamento de câncer e usuárias crônicas de corticosteróides. “Nessa população, o exame deve ser feito com intervalos semestrais no primeiro ano. Se os resultados estiverem normais, o exame deve ser repetido anualmente, enquanto o fator de imunossupressão for mantido”, diz Eduardo Paulino, oncologista clínico do Americas Centro de Oncologia Integrado.

Em mulheres HIV positivas, com contagem de linfócitos CD4+ abaixo de 200 células/mm3, deve ser priorizada a correção dos níveis de CD4+ e, enquanto isso, o rastreamento citológico a cada seis meses”, completa.

Segundo Tapigliani, mulheres que já tiveram qualquer outro tipo de doença sexualmente transmissível, têm múltiplos parceiros sexuais, tiveram início precoce da vida sexual, fumantes, pacientes com desnutrição e carência de vitaminas A e C, que usam anticoncepcional oral e/ou de baixa situação sócio econômica também estão mais suscetíveis ao câncer de colo uterino e, portanto, devem ser acompanhadas de perto.

Já pacientes com passado de histerectomia total por lesões benignas ou que nunca tiveram atividade sexual não necessitam realizar o Papanicolau – neste último caso, pode-se fazer o exame preventivo após os 30 anos, sempre individualizando a conduta médica.

HPV e câncer de colo de útero

O vírus do papiloma humano é a principal causa dessa doença – e, de acordo com Paulino, acredita-se que até 80% da população se infecte em algum momento de sua vida, sendo que a grande maioria das infecções é resolvida naturalmente. Existe um longo intervalo entre a contaminação pelo HPV e a progressão para as lesões.

Além de aspectos relacionados à própria infecção pelo HPV – como subtipo e carga viral, infecção única ou múltipla –, outros fatores ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual parecem influenciar os mecanismos que determinam a regressão ou a persistência da infecção e também a progressão para lesões precursoras ou câncer”, explica.

Por isso, é muito importante trabalhar na prevenção do HPV. “Quando as mulheres tiverem noção de que o uso da camisinha pode evitar a contaminação, diminuindo o risco de desenvolver câncer de colo uterino, teremos uma ótima forma de preveni-lo”, acrescenta Daia.

Também é importante falar sobre a vacina do HPV, que previne a infecção e já faz parte do calendário do Ministério da Saúde. “Com a vacina disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) – quadrivalente, contra HPV 6, 11, 16 e 18 –, cerca de 70% dos tumores de colo uterino podem ser prevenidos”, afirma Paulino. Porém, a vacinação não elimina a necessidade do rastreamento.

Fonte: UNIMED

Notícias Relacionadas :::