sexta-feira, agosto 17

Por que Neymar?

Ídolo ou farsa? Craque ou produto de mídia? Neymar sem dúvida é o jogador brasileiro em maior evidência no cenário atual do futebol. É notícia tanto por belíssimos gols e jogadas plasticamente perfeitas como por affairs na vida pessoal, declarações na imprensa, comportamentos dentro e fora de campo. Mas por que ele é tão visado? Por que atrai tanto a atenção dos torcedores e até de quem não acompanha futebol? Certamente o astro do PSG e a influência midiática dele revelam muito mais do que apenas um grande atleta dentro de campo.

Neymar da Silva Santos Junior, ou simplesmente Neymar Jr, nasceu em Mogi das Cruzes (SP) em fevereiro de 1992. Desde as categorias de base já era visto como atleta diferenciado que teria grande destaque no esporte brasileiro. Revelado pelo Santos Futebol Clube, iniciou a carreira de jogador profissional em 2009 e não demorou muito para ser considerado o melhor jogador atuando no futebol brasileiro, tanto que houve pressão em Dunga para que o levasse para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul.

Em 2013 foi vendido ao Barcelona onde ficou até agosto de 2017, ao ser comprado pelo Paris Saint-Germain e se tornar o jogador mais caro de todos os tempos. Antes mesmo de se tornar referência na Europa, Neymar já era um grande influenciador da juventude brasileira, ídolo de milhões de jovens que sonhavam em seguir os passos dele rumo ao estrelato. As chuteiras coloridas, cortes de cabelo, tatuagens e demais acessórios ditam moda para a molecada. Nas redes sociais, jornais, revistas, canais de TV, o assunto Neymar é sinônimo de polêmica, faturamento e audiência.

O sociólogo Vinícius Sartorato vê pontos positivos e negativos nessa idolatria da juventude: “Tradicionalmente, os jogadores brasileiros que têm origem pobre, negros e que ganham destaque estimulam outros jovens a olharem o futebol como uma alternativa, um sonho, e isso é bom. Por outro lado, as pessoas ao se espelharem em uma outra pessoa dessa forma podem estar suscetíveis a algumas questões, ou mesmo situações de pessoas que se dedicam ao esporte e no final das contas não vão chegar a ser um Neymar. O Neymar é um em um milhão. Então pessoas jovens vão se dedicar ao futebol, vão deixar de estudar, vão deixar de preparar uma inserção no mundo do trabalho e depois vão virar vítimas disso”.

Para o sociólogo, é natural que as pessoas acompanhem a vida do craque do PSG e busquem inspiração nisso: “Existem pessoas que se destacam entre o coletivo e por isso elas têm uma atenção maior, uma influência maior. É um processo social natural que acontece na política, na cultura, nas empresas, nos esportes, então é um processo natural (…) As pessoas se identificam de uma forma ou de outra com determinado líder e elas passam a reproduzir. Cortar o cabelo de uma forma, se vestir de outra forma. Então o papel da mídia vem no sentido de potencializar esse espelho, essa relação de identificação no processo das relações sociais, da convivência das pessoas em sociedade.”

Já para o ex-árbitro e atualmente dirigente das categorias de base do Oeste Futebol Clube, da série B do Campeonato Brasileiro, Rodrigo Braghetto, Neymar não tem sido uma boa influência atualmente para os jovens atletas: “O que eu vi no jogo contra a Costa Rica não me agradou. A gente viu um jogador brasileiro, que jogou na Espanha, ofendendo um jogador da Costa Rica que fala espanhol e depois ele usou o português com o árbitro holandês falando coisas que não posso reproduzir (…) Ele como uma referência, um ídolo, com tanta câmera em cima não poderia ter feito aquilo. Ora, um jogador inteligente né. Brasileiro, falou espanhol para ofender o jogador da Costa Rica porque quis ofender. Depois, esperto né, malandro, sabia que o árbitro holandês não falava português e, ofendeu ele na nossa língua. Então acho que um jogador com essa atitude não pode ser ídolo da nossa juventude não”.

Por outro lado, é mais que natural que, mesmo em um esporte coletivo, a pressão nos destaques individuais seja mais forte. Cabe ao melhor jogador do time a alcunha de “Salvador da Pátria”. Para Sartorato, essa questão engloba outros tipos de interesses: “Neymar, Pelé, Romário, entre outros, são alguns dos exemplos que eu poderia citar. Existem interesses econômicos, políticos diversos por trás de ações como essas. Ações de mídia, marcas, empresas, empresários, treinadores que de alguma forma lucram com isso. E por outro lado, existem não só essas fontes primárias, mas também secundárias. O Neymar, ele vende, indiretamente, jornais e revistas, ele é notícia. Então de alguma forma, esse foco específico é uma maneira de concentrar atenções.”

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