sexta-feira, agosto 17

Declaração polêmica de general Mourão dá combustível a adversários

O jornalista Gerson Camarotti falou, nesta manhã (8), na rádio CBN, que as declarações do general da reserva Hamilton Mourão sobre os índios e os negros não afastam apenas eleitores, mas dão combustível para adversários de Jair Bolsonaro crescerem na corrida eleitoral pela Presidência da República.

“Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense. E a malandragem, nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, essa é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”, afirmou Mourão em seu primeiro pronunciamento como vice do capitão da reserva, no Rio Grande do Sul, na última segunda-feira (6).

Na tentativa de esclarecer os dizeres do colega de chapa, ontem (7), Bolsonaro pediu para a imprensa procurar no dicionário o que significa “indolência” e afirmou que é a capacidade de perdoar. Mourão, por sua vez, disse que foi mal compreendido. “Muita gente ainda gosta de privilégio. Muitos falam que habitantes de alguns estados do país são malandros. Chegam mais tarde no trabalho porque gostam de dormir mais… Em nenhum momento, eu quis estigmatizar alguns grupos, até porque somos uma amálgama de raças”, declarou em entrevista à tv Globo.

Para Camarotti, Mourão não gerou mal estar apenas com a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), e várias ONGs, como a Educafro, que se manifestaram de forma negativa, mas entre membros mais próximos do grupo de Bolsonaro. “Isso fragiliza a campanha e traz dúvidas para os eleitores que não pensam assim”, reforçou. Além do conteúdo dado de graça para os adversários trabalharem em cima, principalmente, do núcleo centro-direita. “O Alckmin, o Meirelles e o Alvaro Dias sabem que só têm chance de crescer se tirarem esses votos de Bolsonaro”.

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