Obama diz ter sido ‘frustrante’ não conseguir restringir venda de armas nos EUA

A uma audiência que o aguardava desde o início da manhã em São Paulo, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama (2009-2017) disse na quinta-feira (30) que uma de suas maiores frustrações à frente da Casa Branca foi não ter conseguido endurecer as regras para vendas de armas nos EUA após o massacre em uma escola em Newtown, em 2012, em que 20 crianças entre 6 e 7 anos foram mortas por um atirador.

“A coisa mais difícil [na Presidência] foi o dia que teve um tiroteio em uma escola e 20 crianças foram vítimas, assim como professores. A regulamentação de armas nos EUA não faz sentido. Todo mundo pode comprar uma arma. Podem comprar pela internet, [inclusive] armas automáticas”, disse Obama, durante palestra no evento de tecnologia Vtex Day, na São Paulo Expo.

Segundo Obama, foi muito difícil “falar com os pais dessas crianças e não ser capaz de assegurar que isso poderia mudar, que eu não poderia trazer as crianças de volta”. “Queria dizer que era possível mudar a lei para que outras [famílias] não passassem pelo mesmo. Foi muito frustrante”, afirmou.

A afirmação do ex-presidente americano em São Paulo se dá logo após o presidente Jair Bolsonaro alterar, por decreto, regras para posse e porte de armas, flexibilizando-os para diversos grupos. Bolsonaro, inclusive,  constantemente usa os EUA como um exemplo a ser seguido na questão das armas. As mudanças por decreto são alvo de questionamento na Justiça e no Congresso.

Obama falou ainda sobre o que considerou positivo em seu governo: a recuperação econômica após a grave crise de 2008 e a aprovação do chamado Obamacare, a reformulação no sistema de saúde americano.

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“As pessoas não lembram o quão ruim a economia estava. Foi necessário muito tempo para curar, mas rapidamente conseguimos parar se sangrar”, disse, destacando ainda que “apesar da oposição”, ficou feliz “de prover sistema de saúde para 20 milhões de pessoas”.

“Não tem como você tomar decisões certas o tempo todo, mas [tomei] as melhores que poderia”, afirmou. Segundo Obama, ele teve que tomar decisões “com base em probabilidades”. “Não tinha como prever o resultado, mas tínhamos estimativas que podíamos confiar.”

O ex-presidente americano afirmou ainda que, em 8 anos de governo “não teve escândalo, ninguém foi preso”. “Tivemos erros, meu governo não foi perfeito, mas foi íntegro”, disse, numa aparente alfinetada ao governo de seu sucessor, Donald Trump.

Fake news

Em relação ao futuro, Obama disse estar preocupado com o sistema de educação e com a importância cada vez maior dada às fake news. “Um desafio que temos hoje é que muitas pessoas rejeitam informações que diferem do que elas acreditam. O que eu aprendi na minha educação foi a habilidade de analisar a realidade, mesmo que seja desconfortável.”

Para ele, é preciso investir na habilidade crítica dos estudantes para que eles possam analisar as informações que recebem. “Um mau professor pode ensinar álgebra. Um bom professor faz você se questionar e identificar coisas que podem fazer você crescer.”

Obama aproveitou para fazer um apelo pela inclusão social, por investimento em políticas públicas e apostas na diversidade.

“É importante ter pessoas que discordem para você ouvir. Por isso era importante pra mim ter sempre mulheres na mesa quando eu era presidente e precisava tomar uma decisão. Se sua organização só tem homens pensando da mesma maneira, você perde informações. Todos temos pontos cegos.”

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Além disso, o ex-presidente democrata afirmou que ajudar quem está em desvantagem, como no caso de uma criança que não tem acesso à educação, não é caridade, mas necessidade para crescimento econômico em muitos países. “Não é um favor para pessoas pobres. (…) Se a gente entender como a economia funciona, vamos ver que, quanto mais você investe em capital humano, mais [o país] cresce.”

Para assistir à palestra de Obama, os presentes tiveram que desembolsar mais de R$ 1 mil, já que os ingressos estavam à venda a partir de R$ 690, mas para ter a chance de ver o ex-presidente americano era preciso pagar mais R$ 350.

Mais cedo, Obama se encontrou com Pelé em São Paulo. “Nós falamos sobre como trabalharmos juntos para fazer o mundo melhor. Feliz por estarmos no mesmo time”, escreveu o rei do futebol em sua conta no Twitter.

Esta é a segunda visita de Obama ao Brasil desde que deixou a Casa Branca. Em outubro de 2017, o ex-presidente veio ao País para dar uma palestra no “Fórum Cidadão Global”, promovido pelo jornal Valor Econômico e pelo Banco Santander.

Enquanto estava à frente do governo americano, Obama fez uma visita ao Brasil em março de 2011, quando conheceu o Rio de Janeiro e Brasília.

Fonte: HuffPost

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Samuel Azevedo
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