Médicos australianos conseguem religar músculos de tetraplégicos

Técnica alcançou sucesso em 12 dos 16 pacientes que foram submetidos ao procedimento. Objetivo era recuperar movimentos de mãos e braços

Médicos australianos estão trabalhando no que seria uma esperança para pessoas que sofrem de paralisia. Eles inventaram uma técnica capaz de fazer pessoas tetraplégicas recuperarem os movimentos dos braços e das mãos. O resultado da experiência foi publicado no periódico científico The Lancet.

No caso de pessoas que sofrem com paralisia, as lesões na medula espinhal impedem que as mensagens saiam do cérebro para ativar as respostas no corpo. No caso da tetraplegia, todos os movimentos dos membros são afetados, mas a depender do grau da lesão, alguns músculos podem continuar funcionais.

No estudo foram feitas 59 transferências nervosas em 16 pacientes, que tiveram os nervos da medula espinhal reconectados aos músculos dos braços, responsáveis por ações como estendê-los ou fechar as mãos, por exemplo. Do total de pacientes analisados, dois não tiveram sucesso, outros dois tiveram sucesso parcial, e o restante (12) conseguiu recuperar os movimentos. Quanto menor o tempo entre a cirurgia reparadora e a lesão inicial, melhores foram os resultados.

“Acreditamos que a cirurgia de transferência de nervo oferece uma opção nova e animadora, dando aos indivíduos com paralisia a possibilidade de recuperar as funções do braço e da mão para realizar tarefas cotidianas, com maior independência e capacidade de participar mais facilmente da vida familiar e profissional”, afirmou Natasha van Zyl, uma das responsáveis pelo trabalho, em entrevista à BBC.

Segundo estimativa dos pesquisadores, a cada ano, 250 mil pessoas em todo o mundo sofrem lesões na medula espinhal que resultam em tetraplegia. Caso o tratamento tenha êxito em maior escala, elas poderiam ser beneficiadas. No entanto, a eficácia do procedimento não funciona no caso das chamadas paralisias completas em que não há nervos funcionais para religar.

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Os médicos ainda deixam claro que o objetivo do procedimento não é restaurar a função normal das mãos e sim ampliar um pouco que seja os movimentos. “O foco é em duas áreas — abrir e fechar a mão e poder estender o cotovelo para alcançar algo”, finaliza Van Zyl.

Fonte: Revista Galileu